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Como ler a cota dos deputados federais

O que cada categoria da CEAP cobre, por que há valores negativos e o que o total não é.

Revisão
Vitor Castro, em 18 de setembro de 2026
Texto atualizado em
18 de setembro de 2026
Fontes
2 oficiais, listadas no fim

O que é a cota

A Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar, a CEAP, cobre despesas ligadas ao mandato de deputado federal, mediante comprovante. Foi criada pelo Ato da Mesa nº 43, de 2009, e está em vigor desde 1º de julho de 2009. Não é salário nem renda pessoal.

O valor mensal muda conforme o estado do deputado. No texto atualizado do ato, vai de R$ 36.582,46, no Distrito Federal, a R$ 51.406,33, em Roraima. O saldo não usado acumula ao longo do ano, mas não passa para o ano seguinte. O que ultrapassar o saldo no ano é descontado do salário do deputado.

Os valores de cada despesa

Cada despesa publicada pela Câmara tem três valores, e eles não são a mesma coisa:

  • Valor do documento: o valor que aparece na nota fiscal ou no comprovante.
  • Glosa: a parte que a Câmara não cobriu — por impedimento legal, comprovação insuficiente ou outra razão.
  • Valor líquido: o que saiu de fato da cota — o valor do documento menos a glosa.

O Observatório soma o valor líquido. Quando o deputado devolve dinheiro à Câmara, a devolução fica em campo próprio, com data, e não altera o valor líquido do registro original. A Câmara avisa que, nesses casos, é comum haver outro registro ligado ao mesmo comprovante.

O fornecedor aparece em branco quando o serviço foi contratado diretamente pela Câmara.

Por que há valores negativos

Nas passagens aéreas, a Câmara registra valor negativo quando emite um bilhete de compensação por uma passagem que não foi usada. Na base do Observatório há 157.794 registros negativos na rubrica "Passagem aérea – RPA" e 38.379 na rubrica "Passagem aérea – SIGEPA". Somar só os positivos daria um total maior que o real.

A categoria "Complementação do auxílio-moradia" tem os 808 registros da base negativos, de janeiro de 2017 a agosto de 2026. A Câmara não explica esse sinal nos dados abertos. O Observatório publica os valores como vieram e não os interpreta.

O que cada categoria cobre

O ato lista o que a cota pode pagar. Os números à direita são da base do Observatório, de 2008 a 2026.

Categoria nos dadosO que o ato permiteNa base
Divulgação da atividade parlamentarDivulgação do mandato, exceto nos 120 dias antes de qualquer eleição, salvo se o deputado não for candidato. Gasto de caráter eleitoral é proibido.R$ 965,6 milhões — a maior categoria em valor
Passagem aérea (RPA, SIGEPA, reembolso)Passagens aéreas, inclusive bagagem e internet a bordo ou no aeroporto. Podem ser usadas por assessores, não só pelo deputado.1,32 milhão de registros nas três rubricas
Manutenção de escritórioAluguel, condomínio, IPTU, energia, água, móveis, equipamentos e material de expediente do escritório de apoio.R$ 407,3 milhões
Locação ou fretamento de veículos automotoresAté R$ 12.713,00 por mês.R$ 386,4 milhões desde 2013
Combustíveis e lubrificantesAté R$ 9.392,00 por mês.1,19 milhão de registros — a maior categoria em quantidade
Táxi, pedágio e estacionamentoAté R$ 2.700,00 por mês.286 mil registros
Serviço de segurançaEmpresa especializada, até R$ 8.700,00 por mês.12.612 registros
TelefoniaTelefonia.727 mil registros
HospedagemHospedagem, exceto a do deputado no Distrito Federal. Também pode ser de assessor.112 mil registros
Alimentação do parlamentarAlimentação do próprio deputado.301 mil registros
Complementação do auxílio-moradiaAté R$ 4.148,80 por mês, complementando o auxílio-moradia.808 registros, todos negativos
Cursos, palestras e eventosAté 25% do valor da menor cota por mês.168 registros

Por que os nomes das categorias mudam ao longo dos anos

O ato foi alterado muitas vezes, e cada alteração mudou o que a cota cobre. Quem compara anos diferentes pela mesma categoria precisa saber disso:

  • Julho de 2009. "Locomoção, alimentação e hospedagem", "Aquisição de material de escritório" e "Aquisição ou locação de software, serviços postais e assinaturas" têm o último registro em junho de 2009. A cota entrou em vigor no mês seguinte e reorganizou as despesas.
  • Novembro de 2013. O Ato da Mesa nº 112, de 2013, reescreveu as despesas de locomoção. Na base, "Táxi, pedágio e estacionamento" e "Passagens terrestres, marítimas ou fluviais" começam nesse mês. A antiga "Locação de veículos ou fretamento de embarcações" passa a conviver com categorias separadas para veículos e para embarcações, e some em julho de 2014.
  • Fevereiro de 2023. O Ato da Mesa nº 270, de 2023, revogou dois incisos a partir de 1º de fevereiro. O texto atual não prevê mais consultorias. Na base, "Consultorias, pesquisas e trabalhos técnicos" tem cerca de 200 registros por mês até dezembro de 2022, 131 em janeiro de 2023 e nenhum a partir de fevereiro. Há um único registro posterior, de R$ 7.000, em janeiro de 2026, publicado pela Câmara nessa categoria.

O que o total não diz

A Câmara confere só a regularidade fiscal e contábil dos comprovantes. Pelo próprio ato, é o deputado quem responde, por declaração escrita, pela compatibilidade do gasto com a lei. Por isso um total alto não é, sozinho, sinal de irregularidade, e um total baixo não é sinal de economia: o Observatório publica o que a fonte publica, sem ranking nem nota.

Alguns fornecedores aparecem com CNPJ entre 00.000.000/0000-01 e 00.000.000/0000-07. Não são empresas: a Câmara usa essa faixa para agrupar despesas na apresentação.

O período que a ficha mostra

A base tem despesas de 2008 a 2026. A ficha do deputado soma apenas o último mandato publicado pela Câmara; os anos anteriores ficam guardados e versionados, mas fora do total. Veja o que mais os dados cobrem em O que os dados cobrem.

Fontes

Os números citados como "na base do Observatório" foram medidos na data de atualização do texto, sobre os dados publicados no site. Encontrou um erro? Solicitar correção

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