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Gasto do político e gasto do órgão

Por que a ficha de um prefeito mostra a conta do município, e por que isso não é gasto dele.

Revisão
Vitor Castro, em 18 de setembro de 2026
Texto atualizado em
18 de setembro de 2026
Fontes
4 oficiais, listadas no fim

Três tipos de número, que não se somam

O site mostra números de natureza diferente, às vezes na mesma tela. Ler um como se fosse outro é o erro mais comum, e o mais fácil de evitar.

Despesa atribuída à pessoa

É quando a fonte publica cada registro com o parlamentar identificado:

  • a cota dos deputados federais, pela Câmara;
  • a cota dos senadores, pelo Senado;
  • a folha e as diárias dos vereadores de Taubaté, e as diárias concedidas em São José dos Campos, pelas câmaras.

Mesmo aqui, nem toda despesa é da própria pessoa. Pelas regras da Câmara, passagens, hospedagem e locomoção da cota podem ser usadas por assessores. No Senado, passagem, hospedagem, alimentação e transporte podem ser de servidores do gabinete. Em Taubaté, as diárias ligadas ao campo "Vereador" podem incluir a equipe do gabinete.

Veja a cota da Câmara e a cota do Senado.

Conta do órgão que a pessoa chefia

Prefeito, governador e presidente não têm cota pessoal publicada. Eles administram o orçamento do ente, que é executado por secretarias e órgãos. Nenhuma fonte oficial atribui parte desse orçamento a quem chefia o executivo, e o Observatório não faz essa atribuição.

Por isso a ficha de um prefeito mostra a conta do município, e não o gasto do prefeito:

  • Estados e municípios: receita realizada e despesa paga, pelo Relatório Resumido de Execução Orçamentária publicado no SICONFI, do Tesouro Nacional, na linha que exclui operações entre órgãos do próprio ente, as intra-orçamentárias. Na base, 27 estados e 3.134 municípios.
  • Presidência da República: a execução paga de todo o órgão superior 20000 no Portal da Transparência — valor pago no ano mais restos a pagar pagos.

O mesmo número aparece na ficha do vice e na página do território. Ele é igual porque é a conta do ente, que não se divide entre titular e vice.

Registro do território

Alguns dados pertencem a um lugar, não a uma pessoa nem ao mandato de alguém:

  • Contrato público: pelo Portal Nacional de Contratações Públicas, o PNCP, pertence ao órgão que contratou — prefeitura ou câmara. Na base, 280.968 contratos de 3.763 municípios.
  • Emenda parlamentar: aparece no município que recebeu o recurso. A fonte identifica o autor por um código próprio do orçamento, que não é o identificador da Câmara; sem ligação oficial entre os dois, a emenda não vai para a ficha de ninguém.
  • Atividade da câmara municipal: sessões, matérias e votações publicadas pelo SAPL são da câmara. Presença numa sessão não é atribuída a um vereador.

Por que o site não liga esses números à pessoa

Em cada um desses casos, ligar o dado a alguém exigiria casar nomes entre fontes que usam identificadores diferentes. Um homônimo bastaria para atribuir dinheiro público a quem não o gastou nem o destinou. O projeto só liga um dado a uma pessoa quando há identificador oficial comum ou um vínculo revisado por uma pessoa.

Para o que cada fonte cobre, e desde quando, veja O que os dados cobrem.

Fontes

Os números citados como "na base do Observatório" foram medidos na data de atualização do texto, sobre os dados publicados no site. Encontrou um erro? Solicitar correção

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